BERNARDO GUIMARÃES E O ROMANCE DE TESE
Quando um físico, matemático, filósofo, pensador, etc. desenvolvem um trabalho sobre um tema qualquer, não seria sem razão dizer que foi desenvolvida uma tese.
Quando um escritor compõe uma narrativa com o propósito de mostrar e defender suas reflexões morais, éticas, filosóficas ou religiosas, ele está compondo um romance de tese.
Em “O Seminarista” podemos facilmente perceber que a ação das personagens, os acontecimentos e o desfecho da narrativa, converge para um problema religioso: o celibato clerical. Bernardo Guimarães usa a narrativa para fazer uma análise crítica da imposição do celibato religioso, que deforma o homem. Através da trama da narrativa, do conflito das personagens, ele nos expõe as causas e as conseqüências dessa imposição religiosa. Também está colocado o autoritarismo familiar, a ponto de o capitão Antunes não permitir que o filho siga o seu próprio caminho na vida.
O romance de tese tem uma função moralizadora, denunciando os aspectos negativos da sociedade, induzindo os leitores a fazerem algo para melhorá-la.
Ricardo Sérgio
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Em O seminarista, Bernardo Guimarães faz um típico romance de tese, querendo provar o equívoco do celibato religioso, que deforma o homem indo contra suas tendências naturais, e do autoritarismo familiar, que não permite ao jovem escolher seu próprio caminho.
A crítica forte do romance é, portanto, contra o celibato religioso, contra a proibição de casamento para os padres, vista como uma violência contra a natureza humana: “Ah, celibato!... Terrível celibato!... Ninguém espera afrontar impunemente as leis da natureza! Tarde ou cedo, elas têm seu complemento indeclinável, e vingam-se cruelmente dos que pretendem subtrair-se ao seu império fatal!...”.
Ressaltando a importância do meio social e dos instintos na determinação do comportamento humano, Bernardo Guimarães dá a esse romance tons naturalistas que, mais tarde, serão retomados radicalmente por outros escritores, principalmente Aluísio Azevedo e Inglês de Souza.
Douglas Tufano
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