- "O Seminarista", - "pequenos estudo de gênero", "narrativa romantizada de um fato real", - foi o trabalho, em prosa, de Bernardo Guimarães, que mais loas mereceu da habitual severidade do Silvio Romero, assim expressas: - "O livro deixa-se ler docemente; não é atordoardor e cheio convulsões; a ação corre serena e vai direta ao seu fim. Tem muita verdade psicológica e muita exatidão de tintas nas cenas locais. Não tem aquele aspecto doutrinário, escavador, científico, técnico, que vai invadindo o romance moderno, às vezes levado a tal exagero, que antes ler um tratado de patologia, especialmente de moléstias do sistema nervoso e das faculdades mentais, do que ler tais livros, que, afinal de contas, nem ciência nem arte são. O nosso livro não tem aquele aspecto demonstrativo de equação algébrica, nem o tom realista de um processo-crime. O romance é vazado nos velhos moldes; mas tem verdade, dessa verdade que se impunha a um homem que tinha os olhos abertos, como Bernardo Guimarães, e saber observar, ainda que o não ostentasse".
- Nas comparações que exornam "O seminarista", é sempre à natureza brasileira que recorre, para melhor vestir as idéias. Assim, Margarida era "de corpo esbelto e flexível, como o pendão da embaúba" (outra imagem vegetal de rara felicidade!); seus olhos, cujos fulgores se velam à sombra de negras pestanas, eram "como tímidas rolas, que se encolhem, escondendo a cabeça debaixo das asas assetinadas"); e a mútua afeição das crianças era "como um cipó" que, nascendo entre dois tenros arbustos vizinhos, se enleia em torno deles e confunde os seus galhos, tornando-os como um só".
- Os brasileirismos ou mineirismos aí aparecem em barda, quer nas expressões "assim como assim", "pensar as vaquinhas", "lavrar de relho", quer nos vocábulos "bitácula" (pequena casa comercial), "favorão", "gangorra", "quituteira", "tropeiro", afora algumas ousadias de sufixação e prefixação, como "chamarisco" (em vez de "chamariz") ou do moderno "chamo", já consignado por Gonçalvez Vianna em suas "Apostillas aos diccionarios portuguezes", t. I, página 280), "beberreira". "estouvadice", "monticuloso", "beatividade" e "desobumbrar", que não foram aforadas até agora pelos nossos melhores lexicógrafos e raramente se deparam ao leitor em outras obras do romancista mineiro.
Blog para todos aqueles que, como eu, são encantados pela leitura principalmente de boas obras.
terça-feira, 24 de maio de 2011
O Seminarista: Curiosidades
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